Cara de Barro

CRÍTICA

Roberto Tavares

10/22/20263 min read

É meus amigos e minhas amigas, agora podemos falar claramente: A DC VOLTOU!!!!

Com direção de James Watkins, Cara-de-Barro (2026) chega aos cinemas provando que as produções baseadas em quadrinhos ainda têm capacidade de surpreender, chocar e emocionar quando se libertam das fórmulas tradicionais. Sem contar da fase ruim que a DC vem vivendo nos últimos anos com produções que não tem agradado o público e muito menos os fãs. O filme se afasta de grandes heroísmos ou cenas épicas como estamos habituados, mas opta em mergulhar sem medo no universo do body horror além de uma história de perdas e decepções sem precedentes.

A trama acompanha Matt Hagen (Tom Rhys Harries), um astro promissor de Hollywood cuja carreira e senso de identidade são bruscamente destruídos após um ataque criminoso que deixa seu rosto gravemente desfigurado. Movido pelo desespero e pela negação em aceitar a perda da vaidade e do prestígio, Hagen se submete a um tratamento celular regenerativo experimental conduzido pela Dra. Caitlin Corr (Naomi Ackie).

Com roteiro assinado por Mike Flanagan e Hossein Amini, o filme tem um grande acerto na escrita de Flanagen justamente não apressar a transformação do Matt em monstro, preferindo construir uma hisrtória trágica de forma lenta, dolorosa e psicologicamente claustrofóbica. Ele não se torna um vilão por uma louca ambição de dominar a cidade, mas por uma obsessão autodestrutiva em recuperar quem costumava ser.

A transformação física do Matt faz juz aos clássicos do terror corporal. Cenas de deformação, regeneração muscular e instabilidade celular entregam um gore tátil e desconfortável, utilizando efeitos práticos alinhados a um CGI bem aplicado para construir a figura bizarra do vilão. Tudo é bem equilibrado. Gore quando tem que ser, e um CGI utilizado apenas em momentos que vão além da normalidade na construção do vilão, principalmente nas cenas de deformação.

É importante destacar que o filme se sustenta sozinho sem depender de participações especiais do Batman ou easter eggs excessivos. Trata-se de uma história fechada, focada nos bastidores de uma Gotham repleta de corrupção, mas que se sobressai em uma trama envolvente e marcante.

A trilha sonora original também é absolutamente incrível. A composição de Volker Bertelmann (Hauschka) mistura melancolia e tensão dissonante, sublinhando perfeitamente a espiral de loucura e sofrimento do protagonista. Além disso, as canções adicionadas ao filme trazem boas memórias e somam a cada cena.

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Tom Rhys Harries entrega uma performance devastadora e ao mesmo tempo humana do Cara-de-Barro. Ele equilibra a vulnerabilidade de um homem despedaçado pelas derrotas consecutivas na sua vida com a fúria grotesca e descontrolada de quem perdeu a própria humanidade e tudo o que de valor conseguiu construir com o seu talento.

Naomi Ackie que interpreta a Dra. Caitlin Corr mistura a força de uma mulher cheia de ambição científica para crescer na sua carreira e ao mesmo tempo convive um grande dilema ético, criando uma dinâmica fascinante e carregada de tensão com Harries.

Cara-de-barro é uma aposta corajosa, sombria e altamente recompensadora. Ao transformar a trágica origem de um dos antagonistas mais emblemáticos de Gotham em um conto morfológico sobre obsessão, aparência e ruína, a produção mostra que o cinema de quadrinhos ganha seu melhor formato quando abraça a diversidade de gêneros com personalidade e audácia. Um prato cheio para fãs do universo da DC, que curtem um terror diferente dos padrões e ainda para quem busca uma experiência cinematográfica visceral.

Nota: 5/5